Fuente: O Globo

Pesquisa mostrou que desenvolvimento intelectual dos beneficiários do programa corresponde a 65% da média, mas presidente disse que equivale a 1/3
O presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro Foto: Reprodução/Facebook
O presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro Foto: Reprodução/Facebook
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BRASÍLIA — Em uma transmissão ao vivo em suas redes sociais na última segunda-feira, o presidenteJair Bolsonaro citou incorretamente um estudo do Ministério da Cidadania sobre o desenvolvimento intelectual de crianças beneficiárias do Bolsa Família. Na transmissão, Bolsonaro afirmou que a pesquisa mostrou que o desenvolvimento dos “filhos do Bolsa Família” equivale a “um terço da média mundial”. Entretanto, o estudo indicou que há uma defasagem de 35% — ou seja, o índice corresponde a 65% da média, ou dois terços.

A pesquisa está sendo coordenada pelo epidemiologista Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com acompanhamento do Ministério da Cidadania, para analisar o programa Criança Feliz, voltado para crianças de zero a três anos. Um resultado preliminar mostrou que os beneficiários do Bolsa Família apresentaram um resultado médio de 0,26 em um teste de desenvolvimento infantil, enquanto a média de países desenvolvidos é de 0,40.

— Olha um dado aqui inacreditável. Nosso ministro da Cidadania fez um levantamento de 3 mil famílias que recebem Bolsa Família. Pegou a garotada de zero a três anos. Essa garotada foi acompanhada por algum tempo. Chegou-se à conclusão que o desenvolvimento intelectual dessa garotada, de zero a três anos, filhos de Bolsa Família, o desenvolvimento deles equivalia a um terço da média mundial — disse Bolsonaro, ao lado de um dos seus filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Mesmo sem levar em consideração o dado incorreto, Cesar Victora ressaltou, em nota enviada ao GLOBO, que “já era esperado” que as crianças apresentassem um desempenho inferior, porque o Bolsa Família atinge as famílias mais pobre do país e a pobreza “está fortemente associada ao baixo desenvolvimento psicomotor”. Para o pesquisador, esse resultado justifica a importância do programa Criança Feliz.

“O Bolsa Família atinge as famílias mais pobres do país. Pobreza está fortemente associada ao baixo desenvolvimento psicomotor, como mostram inúmeros estudos brasileiros e de outros países. Portanto, já era esperado que as crianças incluídas no Programa Criança Feliz apresentassem um desempenho inferior ao observado entre crianças de países de alta renda. Efetivamente, nosso resultado justifica a implantação de um programa como o Criança Feliz, pois se as crianças já apresentassem desenvolvimento adequado não seria necessário intervir”, diz o texto.